Enapa de Bonito marca a história dos encontros de grupos de adoção

Com um jantar de confraternização e muita animação, ao som do grupo Zíngaro, terminou na noite de sábado (17) a 23ª edição do Encontro Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (Enapa), em Bonito. Com o tema Adotar é + que Bonito, o Enapa é um dos mais importantes eventos da América Latina para quem trabalha com adoção.
 
Organizado pelo Grupo de Apoio à Adoção Afagas, de Sidrolândia, com total apoio do Poder Judiciário de MS, por meio da Coordenadoria da Infância e da Juventude de MS (CIJ) e da 2ª Vara de Sidrolândia, além de outros parceiros, a edição do evento em Mato Grosso do Sul foi considerada um sucesso.
 
Na abertura, prestigiando o evento estava o casal Viviane Alves e Des. Divoncir Schreiner Maran, presidente do TJMS e defensor da causa da infância e juventude. Ele elogiou o preparo do evento e não escondeu o encantamento com a acolhida, além do grande número de participantes, que ultrapassou a marca de 900 inscritos.
 
O Des. Alexandre Bastos também participou do Enapa, nos três dias de trabalho, e ressaltou a importância de se ter um encontro dessa grandeza em território sul-mato-grossense coordenado por um juiz de MS. “Vou encaminhar pedido de anotação de elogio, para efeito de promoção, para o juiz Fernando Moreira Freitas da Silva, da 2ª Vara de Sidrolândia, em razão do trabalho realizado para o Enapa de MS”.
 
A juíza Katy Braun do Prado, Coordenadora da Infância e da Juventude de MS, foi uma das conferencistas. Ela acompanhou com entusiasmo o evento em razão do alto nível das discussões, citando que temas controvertidos a respeito do direito da convivência familiar e comunitária foram discutidos.
 
“O que mais me chamou a atenção foi o compromisso que os grupos de adoção têm apresentado não só com a preparação dos habilitados e com o apoio pós-adoção, mas também com ações espalhadas por todo o país para fortalecer o vínculo familiar de crianças em situação de vulnerabilidade”, destacou a coordenada da CIJ.
 
O juiz Maurício Cleber Miglioranzi Santos, grande defensor da causa e pai por adoção, considerou o Enapa muito importante para MS pela participação de inúmeras equipes técnicas, que puderam interagir com os grupos de apoio à adoção e ouvir um pouco das experiências e demandas dos pretensos pais adotivos. 
 
“Foi um grande aprendizado para todos e uma evolução para os processos de destituição familiar. Tivemos palestras do prof. Paulo Lépore e de professores da USP que trataram da questão do parto anônimo, uma novidade na legislação brasileira. Essa difusão da informação para toda a rede técnica é muito importante e vamos aproveitá-la na comarca de Corumbá, onde temos muitas mães com dificuldades, mães usuárias que, muitas vezes, procuram o amparo do Estado para que o filho tenha uma oportunidade. Um aprendizado para as equipes técnicas de MS e uma lição de que é possível fazer mais por essas mães, sempre priorizando o bem-estar da criança e do adolescente”, apontou o juiz que atua em Corumbá.
 
Foram três dias de muito trabalho, com palestrantes renomados, discussão de temas polêmicos, troca de experiências, porém, o mais importante foi a convivência afetiva dos integrantes de grupos de apoio à adoção de todas as unidades da federação. Ao final, foram anunciadas as próximas sedes do encontro: em 2019, o XXIV Enapa será em Blumenau e em 2020, Aracaju (SE) receberá o grande encontro. 
 
Durante o evento, três defensores da causa foram homenageados com a Comenda Decebal Andrei: Halia Pauliv, Suzana Schettini e Luiz Schettini Filho. Muito aplaudidos ao receberem a honraria, eles não esconderam a surpresa com o reconhecimento.
 
Para Halia Pauliv, professora, escritora, palestrante por todo o Brasil sobre temas como Adoção, Educação e Sexualidade, o Enapa de Bonito foi abrangente, com temas necessários tantos jurídicos como em aspectos sociais, com destaque para o acolhimento. 
 
“O prêmio foi uma surpresa muito agradável, que gerou uma emoção, afinal são 20 anos de trabalho voluntário. Toca a alma. Foi realmente um evento muito gostoso, especial e acolhedor, porque formamos um grupo cheio de amor e o Enapa é recheado de amor”, disse a autora de várias obras publicadas.
 
A psicóloga Suzana Schettini, professora, escritora, palestrante e ex-presidente da Angaad, definiu o Enapa de Bonito como extraordinário, pela magnífica oportunidade de conviver três dias com atores sociais que trabalham pela adoção, em um ambiente carinhosamente preparado, com temas muito importantes. 
 
“Saímos gratificados, animados, incentivados para prosseguir na batalha, na luta diária pela garantia do direito à família a todas as crianças e adolescentes. Certamente, Bonito trouxe uma grande contribuição nessa caminhada. A cada ano, cada Enapa, avançamos um pouquinho na união do trabalho, na parceria, no compartilhar das experiências, no número de pessoas que chegam para engrossar a massa crítica que busca um mundo melhor para crianças e adolescentes”.
 
Sobre a comenda, Suzana confessou ter ficado emocionada por ter sido a primeira medalha que recebeu em mais de 60 anos, mas enfatizou que a maior gratificação é perceber os resultados do trabalho, o número de crianças com possibilidade de adoção e de famílias que se formam por amor, além do grande entendimento que a sociedade está tendo da adoção. 
 
“Evidentemente foi um carinho da equipe e me senti lisonjeada, mas a verdade é que muitas pessoas mereceriam uma medalha também porque ninguém faz nada sozinho. Temos um contingente imenso de pessoas que trabalham no movimento nacional de apoio à adoção. Não buscamos medalha, trabalhamos porque gostamos, porque é missão de vida. Emocionou-me porque jamais pensei em receber uma medalha pelo trabalho em adoção”, esclareceu ela. 
 
O psicólogo, filósofo, teólogo e psicoterapeuta de crianças, adolescentes e adultos, Luiz Schettini Filho, também homenageado, contou que já participou de 20 edições do Enapa, não estando somente nas três primeiras, pois trabalha pela causa da adoção a cerca de 50 anos.
 
“Posso fazer um percurso histórico e esse Enapa ultrapassou todas as expectativas na organização, dinâmica, mas sobretudo na conjunção das pessoas que vieram do Brasil inteiro se reunir em Bonito para uma convivência muito intensa. Para mim, foi uma emoção diferente de outras. Acho até que é por eu estar com 83 anos e encontrar pessoas que eram crianças quando eu ajudava a organizar os Enapas, que hoje são adultos e trazem seus filhos. Uma coisa muito boa e indescritível”, explicou.
 
Luiz é pai de cinco filhos adotivos e confessou ficar tocado com a homenagem. “Primeiro porque não esperava e depois porque não havia a necessidade. A maior homenagem é ouvir das pessoas que me falam individualmente sobre os livros que escrevo na área da adoção, sobre minhas falas aqui e acolá. Toda recompensa que eu poderia ter é dessa forma, mas compreendo que as pessoas queiram tornar público esse sentimento. É bom saber que estão dizendo alguma coisa boa do que tentamos fazer e, em Bonito, isso teve um significado maior provavelmente do que seria em algum outro canto qualquer”, concluiu Schettini.  
 
O juiz coordenador de Enapa de MS, junto com o grupo Afagas, Fernando Moreira, destacou a presença de várias personalidades do mundo jurídico, da psicologia, da medicina, da assistência social, discutindo, de maneira interdisciplinar, a adoção. Para ele, ainda há muito a fazer, pois as novidades significam que não se está parado. 
 
“Em MS estamos fazendo muita coisa em matéria de adoção. Temos muitos desafios pela frente e para isso precisamos de debate. Temos muito a aprender um com o outro e esse encontro é a grande oportunidade para isso. A partir do Enapa, tiramos grandes lições. Mesmo os que não querem adotar saem com o coração transbordando de alegria, de aprendizado. Recebi mensagens de pessoas de todo o país dizendo que saem daqui transformadas”, disse ele ao final do evento.
 
Participaram do encontro os juízes Eguiliell Ricardo da Silva, Walter Arthur Alge Netto, Raul Ignatius Nogueira, Melyna Machado Mescouto Fialho, Thielly Dias de Alencar Pithan e Silva, Alessandro Leite Pereira, Giuliano Máximo Martins, Paulinne Simões de Souza, Samantha Ferreira Barione, além de promotores, defensores, palestrantes renomados nacional e internacionalmente, integrantes de grupos de adoção de todo o Brasil.
 
No evento, produtos feitos no Ateliê D’Cela marcaram o momento ressocialização para os participantes. Para quem não conhece, o Ateliê D’Cela é um projeto implantado pela juíza Samantha Barione, na comarca de São Gabriel do Oeste, para a ressocialização de presas que produzem artesanato para venda e arrecadação de verbas para sua manutenção.
 
Segundo a juíza Samantha Ferreira Barione, da 1ª Vara da comarca, o projeto Ateliê D’Cela surgiu da necessidade de se criar vagas de trabalho dentro do Estabelecimento Penal Feminino de São Gabriel do Oeste.
 
Autor da notícia: Secretaria de Comunicação – [email protected]

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